Serra Gaúcha
A 21ª região vinícola italiana
A imigração italiana para o Brasil começou no final da década de 1870, em um período de transição no país. Após a abolição do tráfico de escravos em 1850, o governo brasileiro incentivou a chegada de imigrantes para suprir a demanda de mão de obra, especialmente nas lavouras de café no Sudeste e na colonização de novas áreas no Sul.
Ao mesmo tempo, a Itália vivia momentos difíceis. A unificação italiana trouxe instabilidade econômica e social, com desemprego, pobreza e falta de terras agrícolas disponíveis para pequenos agricultores. Para muitos italianos, o Brasil representava a oportunidade de uma nova vida.
Os primeiros imigrantes italianos chegaram ao Rio Grande do Sul em 1875, desembarcando no porto de Rio Grande e, posteriormente, em Porto Alegre. A partir daí, foram encaminhados para áreas de colonização, como as atuais cidades de Bento Gonçalves, Caxias do Sul, Garibaldi e Farroupilha.
Com muita garra e muita capacidade de trabalho, os colonos italianos desenvolveram a região e a vinicultura local, preservando suas tradições e métodos trazido da Itália, usando as mesmas castas com que estavam familiarizados em sua terra natal. Com isso, quem visita hoje a Serra Gaúcha tem a inequívoca impressão de que está visitando a Itália, com todas as tradições preservadas e, principalmente, com sua vinicultura inspirada na terra natal. Com isso, não é muito exagero afirmar que a Serra Gaúcha é a 21ª região vinícola italiana.
E é na Serra Gaúcha, mais exatamente na cidade de Alto Feliz, que os descendentes da
Família Motter (chegados do Trento, em 1880), instalaram a sua vinícola, a mais bela de toda a região, desenvolvendo vinhos seminais com claro sotaque italiano.